Ideias ao Longo do Caminho – 33

Ideias ao Longo do Caminho – 33

Um Sentido de Dever Para Com a Alma
Abre Caminho Para a Felicidade Durável

Carlos Cardoso Aveline 

 

* O tipo certo de quietude vem antes da vitória.  

* Quem aprende a contemplar o todo abstrato da vida alcança uma eficiência maior também no mundo externo. A ação correta, a contemplação e o desapego geralmente fluem em conjunto.

* Quando reconhecemos a presença da Lei Universal nos acontecimentos diários, a paz ganha força em nossa alma.

* O esforço por alcançar metas objetivas dá mais frutos quando desenvolvido sobre o alicerce da tranquilidade, e da sabedoria.

* A boa organização do nosso trabalho permite transcender os assuntos pequenos, estudar as leis universais e buscar o conhecimento eterno.

* A ordem, combinada com harmonia, produz paz no mundo interno do peregrino. E isso permite a expansão da consciência.

* A renúncia ao apego cego liberta o indivíduo da infelicidade, e o capacita para fazer o melhor nos diferentes aspectos da vida.

* Enquanto o ser externo do peregrino caminha com passo regular sobre solo firme, a sua alma pode voar como um pássaro.

* A capacidade de priorizar uma compreensão lúcida dos fatos, buscando a verdade por si mesma, é uma função da alma e só pode crescer pouco a pouco. O tempo ensina a deixar de lado o consenso confortável e as aparências agradáveis. À medida que aprendemos a ver os fatos tal como eles são, obtemos um tipo durável de contentamento.

* Perceber diretamente a existência de uma Alma espiritual em cada ser humano – uma alma que reencarna periodicamente – é grande fonte de paz.

* A compreensão dos renascimentos muda a relação do peregrino com a eternidade, e o torna mais amigo do tempo eterno.

* Por outro lado, constatar a realidade da reencarnação melhora a relação do peregrino com os aspectos passageiros da vida. Cada minuto se torna mais significativo. O tempo que lhe toca viver é visto como parte de um contexto mais amplo, em que dezenas de milhares de anos correspondem ao médio prazo.

* À medida que o estudante de teosofia aprende a olhar com respeito para os seus próprios erros, ele pára de fingir para si mesmo que as falhas não existem e o processo de corrigi-las se torna mais fácil. Sendo internamente verdadeiro, ele estabelece paz entre os seus vários níveis de consciência. Em consequência disso o peregrino torna-se sincero e harmonioso com outras pessoas honestas. Ele terá inevitavelmente uma tendência a esperar sinceridade de todos.

* A mentira é frequentemente doce, e a sinceridade, amarga. No entanto, os doces são algo a ser evitado no caminho da sabedoria, assim como qualquer sabor fabricado artificialmente, seja ele físico ou emocional.

* Ou aceitamos a verdade, ou a recusamos. E aceitar a sabedoria significa mudar hábitos. Implica escolher a saúde, física e espiritual. Requer que o peregrino seja capaz de aprender.

* Quando alguém se abstém de apegos automáticos em relação a esta ou aquela forma de ação, é possível identificar a decisão correta a ser tomada.

* Priorizar a visão mais exata e verdadeira possível da realidade é um fator fundamental no processo de tomada de decisão. A escolha entre o amor à verdade e amor ao conforto revela uma parte importante do nosso caráter.

* Uma visão nova e mais correta da verdade pode parecer agressiva no modo como ela transforma nossa vida.  

* Para ser capaz de absorver informação transformadora, o estudante de filosofia não deve fingir que já sabe tudo. Cabe a ele aceitar o papel de um humilde aprendiz. Deste modo terá o privilégio de atuar como um buscador sincero da verdade.

* A espiritualidade artificial tenta negar os aspectos físicos da vida. A verdadeira sabedoria, por outro lado, ensina a reorganizar gradualmente cada departamento da existência diária com base na nossa percepção da Lei do Cosmo.

* Toda vida é vista como sagrada, quando a olhamos desde o ponto de vista da Alma.

* O corpo físico é de certo modo um templo e pode ser respeitado como tal. O mundo das emoções sinceras forma uma das atmosferas superpostas que habitam o interior do santuário e o espaço em torno dele. Mais acima estão os pensamentos verdadeiros, as ideias elevadas, as percepções intuitivas e o propósito principal altruísta.

* As filosofias orientais dizem que vivemos em “Maya”, ou impermanência e ilusão. O axioma precisa ser enfocado corretamente.

* O eu superior dos seres humanos vive no território da verdade. Nossos eus inferiores, porém, existem por pouco tempo, geralmente menos de cem anos em cada encarnação. E vivem rodeados por circunstâncias que mudam incessantemente. O próprio eu inferior de cada um muda o tempo todo e existe, portanto, sob a forte influência de uma “Maya”, uma mutação constante, uma impermanência tanto interna como externa.

* A busca da verdade consiste na construção de um contato mais intenso com o nosso próprio eu superior, que está estabelecido na Verdade. A vida não é “Maya”: a vida é uma batalha entre Maya e Verdade em nossas almas.

A Matéria-Prima das Nações

* Como os seres humanos são a matéria-prima fundamental de qualquer grupo, instituição ou país, é só através do autoaperfeiçoamento individual que as estruturas sociais podem ser melhoradas.

* Os esforços humanistas têm uma importância decisiva, porque podem oferecer estímulos e informação útil para aqueles que desejam melhorar a si mesmos, que tentam deixar de fazer erros desnecessários e praticam a arte de agir corretamente.

* A qualidade moral da vida coletiva depende de ciclos cármicos longos e curtos que são tema de estudos profundos em teosofia. Em qualquer ponto dos ciclos, no entanto, fazer o melhor que podemos é uma fonte segura de bem-aventurança.

* À medida que os desafios externos da humanidade parecem tornar-se mais profundos, passa a ser mais necessária do que nunca para o peregrino uma decidida preservação da sua paz interior.

* O respeito incondicional pela Vida produz equilíbrio e bem-estar. Um sincero sentido de dever para com a alma abre caminho para a felicidade durável.

Renovando uma Civilização

* Desde o ponto de vista dos adoradores das coisas de curto prazo, o estudante de filosofia pode parecer que vive em outro planeta. Porém o peregrino espiritual é apenas um pioneiro da civilização do futuro, cujo alicerce inclui o princípio do respeito pela verdade. 

* O estudante de teosofia sabe que quando a verdade é deixada de lado durante muito tempo, ela pode voltar através de uma implosão de estruturas sofisticadas cuja base é feita de ilusão e fraude.

* A verdade pode ser algo difícil de aceitar, às vezes. Mas ela dá sustentação às estruturas da vida. Quando é suprimida e ignorada, a verdade se torna cada vez mais “inaceitável”. Um dia ela ressurge de repente e lança ao esquecimento tudo o que antes bloqueava o seu caminho. Neste ponto a paisagem inteira do carma fica diferente.

* A verdade não perde uma vírgula da sua força por ser suprimida, mas aqueles que são governados pelo medo da verdade têm muito a perder por fugirem dos fatos.

* Já foi demonstrado que a ruína das sociedades está ligada desde as épocas mais antigas ao esgotamento dos recursos naturais, especialmente das florestas. Mas antes do fracasso ecológico e agrícola (devido a fatores como o excesso de população e o desmatamento), há sempre uma derrota ética da alma humana diante da Vida.

* Em outras palavras, o final de um processo civilizatório ocorre primeiro de modo quase imperceptível, como uma derrota espiritual silenciosa. Com isso, a alma se afasta daquela estrutura social. Só depois vêm os desastres visíveis e ocorrem as calamidades estrondosas.   

* Portanto, avaliar o grau de honestidade média que há na sociedade de hoje pode ser um exercício revelador do futuro. Cabe evitar a derrota da Ética e a morte espiritual da comunidade. É preciso manter a honestidade num número suficiente de almas.    

A Ioga da Simplicidade 

* Qual a nossa responsabilidade diante da vida? Cada vez que passam alguns segundos, uma nova porção de atmosfera é absorvida pelos nossos pulmões, e ela vem cheia de potencialidades vitais. Em poucos minutos algumas emoções cumprem o seu papel e são descartadas. Nascem sentimentos diferentes. A nossa responsabilidade é total neste processo.

* Temos nas mãos o leme do nosso carma. Assim como o ar que respiramos, as ações que escolhemos e decidimos fazer ocorrem conforme ritmos e padrões de cuja criação participamos. Os acontecimentos fluem conforme as ondas do carma, das quais somos coautores.

* Conforme a vida que escolhemos construir no dia-a-dia, algumas ideias nos acompanharão como ferramentas necessárias, e outras serão deixadas de lado como parte do passado ou material inútil.  

* Cabe fazer com que nossas escolhas sejam conscientes. Temos o poder de construir atmosferas saudáveis, tanto físicas como psíquicas. Está ao nosso alcance ter como base da nossa vida emoções puras, pensamentos nobres e ação correta.

* Om, Shanti. Om.

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O artigo “Ideias ao Longo do Caminho – 33” foi publicado como item independente em 23 de junho de 2021. Uma versão inicial e anônima dele faz parte da edição de maio de 2017 de “O Teosofista”, pp. 14 a 16. Também estão aqui incluídas versões revisadas das notas “Renovando uma Civilização” e “A Ioga da Simplicidade”, que foram escritas pelo mesmo autor e publicadas anonimamente em maio de 2017.   

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, de Carlos C. Aveline, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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